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domingo, 28 de março de 2010

ASSINADO EU

Antes mesmo de optar pelo curso que faço, ouvia dizer que "publicitário tem o ego inflado". Só não me alertaram que isso aliado a autoridade, na maioria das vezes, falava mais alto que a verdadeira ideia criativa ou a real necessidade do cliente.

O job é considerado bom ou ruim mediante a assinatura que leva? O post de hoje abre espaço para essa discussão que deveria ser mais presente no mundo da publicidade. O autor é um amigo redator que defende a arte de argumentar, desde que essa argumentação não seja somente atrelada ao posto de quem a faz.
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ASSINADO EU


Essa não é uma dissertação sobre a música da Tiê (que aliás, eu recomendo), mas é que o título é tão inerente ao ambiente publicitário que eu, com os devidos créditos, decidi utilizá-lo nesse meu primeiro post no Comunicação Panorâmica.

Ego. Ignorar essa palavra na publicidade é fazer vista grossa para o que todos vivem à procura: a auto-satisfação. Me incluo na estatística porque não tenho problema algum em ser elogiado ou reconhecido, alguém tem? Enfim, não estou aqui para discutir algo que para mim já é um fato imutável. Deixemos o bom(?) e velho ego publicitário onde acharmos melhor.

No entanto, foi preciso tocar nesse assunto para chegar onde eu queria. No meio desse “céu estrelado” (by Nicoli), como se definir o que é realmente um talento, como saber o que é, de fato, criativo e inovador? Ok, depois de anos na faculdade e algum tempo de mercado, você, consequentemente, se torna mais exigente e acaba tomando jeito pro negócio. Mas se essa criatividade (leia-se aprovação em uma agência ou nota na faculdade) estiver condicionada à “Assinatura Eu” superior?

Longe de mim questionar a hierarquia acadêmica ou profissional. O que estou avaliando é o limiar entre autoridade e talento.
_ Por quê essa logo não vai ser apresentada ao cliente?
_ Porque eu sou dono disso aqui e não gostei!
_ Por que os super efeitos no spot não são viáveis?
_ Porque eu sou o professor e mando nessa parada!

Sempre existirão pessoas com conhecimento maior que o seu e é inteligente utilizar isso a favor do seu crescimento profissional. Porém, se esse “conhecimento” surge apenas da autoridade ou de um posto que se ocupa, torna-se completamente questionável.

O que quero dizer é algo que quem convive comigo já ouviu bastante (né Jessica?): ARGUMENTEM, DEFENDAM! Reprovem as logos de seus estagiários, aprovem campanhas mirabolantes para sua empresa, insiram sequências infinitas de repetições nos spot de seus alunos, mas façam isso com motivos reais e justificáveis. Usar apenas de uma posição para definir o que é bom ou ruim é o mesmo que um dentista fazer um canal sem anestesia só porque possui o título de doutor.

A primeira pessoa é sempre uma voz muito ativa nesse meio, mas só funciona se ouvir as demais. Ser criativo implica anos ou meses de experiência. Não existe fórmula mágica. O que não vale é usar de uma posição para adquirir esse posto.

Sou um estagiário recém contratado (oba!) que pode até ser uma futura estrela no céu publicitário, mas querer ofuscar as outras que começaram a brilhar é coisa de estrela medrosa, amadora mesmo.


Eduardo Mendes
Atua nas áreas de redação e direção de arte.

terça-feira, 23 de março de 2010

Relações Públicas, mas o que isso faz mesmo?

Tá aí uma boa pergunta. Na verdade essa dificuldade em definir a profissão se estende à todas as habilitações do curso de Comunicação Social. Já ouvir dizer até que "Só publicitário entende publicitário" e isso é válido para os jornalistas, relações públicas, cineastas...

A Fernanda, autora deste post , é uma das poucas RPs que conheço com tanta característica de publicitária. Formada em comunicação social pela Newton Paiva, ela fala no texto de hoje sobre a regulamentação da profissão de Relações Públicas e suas particularidades. Confiram!

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RELAÇÕES PÚBLICAS, MAS O QUE ISSO FAZ MESMO?

Qual pai não tem o sonho de ver seu filho Doutor? O meu, eu acho, gostaria que eu fosse advogada. Após um processo de orientação vocacional, confirmei minha preferência em cursar comunicação. Decidi estudar Relações Públicas (RP). Até hoje lembro da cara do meu pai: "Ah tá... um curso da área de comunicação" que na verdade queria dizer: "Mas o que isso faz mesmo?". E essa foi a pergunta que mais ouvi por um bom tempo.

Às vezes alguém arriscava: "Ah, você vai fazer propaganda né?" NÃO! "Ah! É tipo jornalismo, essas coisas?" NÃO! Na maioria das vezes me limitava a dizer: "faço comunicação social". Afinal de contas, a área de Relações Públicas não tem nenhum garoto propaganda, como Washington Olivetto ou William Bonner, para exemplificar. Como era difícil explicar em poucas linhas o que realmente faz o Relações Públicas.

Um curso originado da mistura entre a administração e a comunicação. Um profissional formado para ser relacionar com diversos públicos: colaboradores (do chão de frábica aos acionistas), imprensa, comunidade, governo, concorrência, clientes, enfim, qualquer público que tenha algum relacionamento direto ou indireto com a empresa.

Grosseiramente falando, enquanto o publicitário vende o produto e o jornalista vende a notícia, o Relações Públicas vende a imagem da instituição para qual trabalha, realizando ações que busquem promover a opinião positiva dos diversos públicos da empresa. Resumidamente, é isso! Ou seja, ainda continua difícil definir essa profissão em poucas linhas.

Então, para não deixar dúvidas, apresento as atividades profissionais de Relações Públicas dispostas na Lei nº 5.377 de 11 de dezembro de 1967, que regulamenta a profissão. Sim! Relações Públicas é o único curso da área de comunicação regulamentado.


Capítulo II


Das atividades profissionais

Artigo 2º - consideram-se atividades de relações públicas as que dizem respeito:
a. à informação de caráter institucional entre a entidade e o público, através dos meios de comunicação;
b. à coordenação e planejamento de pesquisa de opinião pública, para fins institucionais.
c. o planejamento e supervisão da utilização dos meios audiovisuais, para fins institucionais;
d. ao planejamento e execução de campanhas de opinião pública;
e. a o ensino das técnicas de relações públicas, de acordo com as normas a serem estabelecidas na regulamentação da presente lei.


Ou você também achou que RP só fazia festas? Você ainda pode conhecer um pouco mais sobre a profissão por meio do regulamento da LEI Nº 5.377, ANEXO AO DECRETO Nº 63.283, DE 26/09/68, que disciplina o exercício profissional de relações públicas e Lei Nº 7.197, de14 de junho de 1984 que institui o “Dia Nacional das Relações Públicas” e fala sobe o Código De Ética Dos Profissionais. Todas essas informações você encontra no site do CONFERP – Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas (http://www.conferp.org.br/).

Caso você se interesse em cursar Relações Públicas, vale a pena dizer que as opções para especializações também são muitas, mas isso depende do que você planeja para sua carreira. Ah, e podem ficar tranquilos, todo mundo pode ser Doutor. Afinal de contas, Doutor é que faz Doutorado, independente se você é formado em Direito, Medicina, Engenharia ...


Fernanda Liberman
, 26 anos

Graduada em Relações Públicas, pelo Centro Universitário Newton Paiva.

Especialista em Marketing, pela PUC-MG