Quando decidi o curso que faria na Faculdade - ainda no primeiro ano do Ensino Médio – minha escolha foi baseada em um único objetivo: trabalhar como designer em uma grande empresa de Publicidade. E comecei pelo caminho certo, prestei vestibular para o curso de Designer Gráfico de uma conceituada universidade de Belo Horizonte. O resultado veio em uma semana. Sabia que esse era o primeiro passo para atingir aquele objetivo projetado na adolescência. As aulas iniciaram e com elas a responsabilidade de fazer bonito em dois anos de curso.
Teoria das cores. História da arte. Informática aplicada ao Desing. Sintaxe da linguagem visual. Projeto aplicado. Desenho técnico. Nada poderia ser melhor no quesito disciplinas e professores, a carreira começava bem. Mas, aos poucos percebi que queria traçar algo diferente pra minha formação, precisava ampliar minha visão da área e só então focar. Eu estava fazendo o caminho inverso.
Nesta mesma época recebi a notícia que o curso de Publicidade e Propaganda havia chegado na minha cidade, esperei até o fim do semestre e solicitei a transferência. De designer para publicitária, ampliei o leque de possibilidades. Era exatamente o que eu queria. Fazer um curso de bacharelado me permitiria desempenhar várias outras funções ligadas à Comunicação, funções essas que nem sabia que existiam até então.
Na primeira semana de aula comecei a dividir meu tempo entre a Faculdade, o emprego e um novo estágio. Coisa de louco mesmo! Era a Assessoria de Comunicação em Saúde da Prefeitura de Betim, foi um ano de aprendizado e discordâncias, mas valeu muito. Tive a oportunidade de trabalhar com três feras do jornalismo e da Publicidade (Lucas, Fábio e Kênia. Obrigada!). Meu portfólio estava nascendo e eu começava a entender o quanto era ampla a área que havia escolhido. Ótimo, afinal era isso que procurava.

Ora lidando com os clientes das empresas privadas (Faculdade Pitágoras e INTZ. Comunicação), ora com os órgãos públicos (Prefeitura de Betim e Secretaria de Saúde de São Joaquim de Bicas), cada um com suas peculiaridades, pude notar que os conceitos de empowerment, ações promocionais, briefing, tipos de clientes e mídias eram muito mais complexos do que os vistos na Faculdade. Endomarketing então...
“O mercado de trabalho assistiu à mudança da denominação ‘empregado’ para ‘funcionário’ e, mais recentemente, para ‘colaborador’, à medida que as organizações se conscientizavam da importância do comprometimento e satisfação do público interno para atingir suas metas, manter uma boa imagem e implementar a qualidade nos processos”. Li essa frase em no livro “Gestão de Serviços e marketing interno” da coleção FGV Management, sei que você já ouviu falar disso várias vezes, mas acredite, é muito mais complexo que imagina. Algumas vezes o segredo está puramente no público interno e a direção da empresa nem sempre entende esse fator importante. E você (para aprender mais e se mostrar um bom profissional) divide seu tempo em fazer tudo que acreditam ser comunicação e cuidar do público interno junto com o setor de RH (que também não tem tempo sobrando pra isso).
Me encontrei em um cargo bem diferente do que me propus a fazer no início da vida acadêmica, e o mais interessante de tudo: trabalho com todos os profissionais possíveis da Comunicação. Alguns jornalistas até me incentivaram a escrever mais, na verdade, acho que é por isso que este blog surgiu.
Mas como ia dizendo, em ano eleitoral vale tudo: passear pelas periferias, abraçar moradores de rua, beijar criancinhas nas favelas, visitar locais precários ou almoçar em restaurante popular, não que isso seja um problema, no entanto, essas cenas com políticos só são vistas de dois em dois anos e isso tudo é para que ele esteja na mídia, o importante é ser visto, consequentemente lembrado.
Políticos geralmente são muito bem assessorados, eles devem prometer tudo, até o que não depende deles, não importa se haverá condições financeiras ou estrutura, se será viável. O bom “político-marketeiro” deve falar aquilo que o povo quer ouvir, a grande sacada para uma campanha vitoriosa é saber o que o povo precisa naquele momento, quais são seus sentimentos e preocupações prioritárias. Quanto mais limitada intelectualmente for o povo, mais fácil de dominar suas emoções, assim, mais fácil de se conseguir o objetivo, o voto.